Carta de Juan Gelman ao juiz do caso de Angye

México, D.F., 6 de febrero de 2012

Senhor Juiz:

Me vejo na necessidade de expresar-lhe, com o devido respeito a sua
alta investidura, meu assombro ante o processo perpetrado contra a poeta colombiana Angye Gaona.

Não é verossímel a acusação de “narcotraficante” que se aplica a esta grande poeta e verdadeira jóia da rica literatura da Colômbia, conhecida e reconhecida em toda América Latina e Europa. E se acusam de “rebelde” a quem se solidariza com os sofrimentos de seu povo, não seria difícil escolher o rótulo adequado a esses que os causam.

É notória a existência de pressões que politizam a justiça e convertem a este mundo em uma sorte de compra-e-venda de consciências. Confio que sua aquilatada experiência e conhecimento jurídicos não agregarão uma injustiça a mais às muitas que imperam nestes tempos de pobreza espiritual.

Atenciosamente,

Juan Gelman
Premio Cervantes 2007

(um dos maiores poetas vivos da América Latina)

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Cartas para o juiz

Precisamos do envio de mais cartas para o juiz que julgará o caso de Angye na Colômbia. Por favor, enviem! Segue abaixo modelo e endereço:

 

Modelo de carta para Juiz do caso Angye Gaona

(este mesmo texto pode ser utilizado para ser enviado por email à Embaixada da Colômbia no Brasil)

Juzgado Único Penal del Circuito Especializado de Cartagena Del Adjunto
Radicación o SPOA. 13001-60-01129-2009-02149-00
Barrio Centro de San Diego,
Calle De La Cruz N º 9-42,
Antiguo Colegio Panamericano
2 º Piso
Cartagena de Indias
Colombia
________________________________________
Nome
Endereço
Cidade, País
Endereço de seu site Web (opcional)

Señor Juez,

Como ciudadano del mundo comprometido con las libertades de los pueblos, con mi alma y mi corazón decidí enviarle esta carta para informarle de mi compromiso y vigilancia en relación con el caso seguido en su juzgado a Angye Gaona, poeta colombiana. Estoy seguro de que no se juzga en este caso a una mujer traficante de drogas ni una rebelde, sino una “contrabandista” de las palabras y de la poesía, que es consciente de los abusos de los derechos del hombre en su país. En su nombre, le pido ecuanimidad y razón, a pesar de las presiones políticas. La poesía y las modestas condiciones de vida de Angye Gaona reflejan su inocencia, mejor de lo que podría hacerlo el mejor abogado. Su único crimen es el de decir la verdad a través de su obra poética. Me parece esencial para la comunidad colombiana, que se respete la vida y la libertad de sus poetas, que son un poco el alma de su pueblo. En espera, señor En espera, señor Juez, que usted sea el garante de un juicio justo que honre a las instituciones de Colombia, le ruego acepte la expresión de mi respeto,
Firma

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Angye está bem

Amig@s, Angye está bem. Ficou alguns dias longe da internet porque teve que viajar mais de 800km pra cidade em que marcaram o julgamento (artimanha para evitar as manifestações dos que a conhecem). Em breve, espero que ela passe mais informações sobre o julgamento em si. Lembrando que a sentença ainda demora uns 2 meses para ser apresentada, portanto ainda há tempo para nos manifestarmos e denunciarmos o governo colombiano.

Abraços, jeff

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Entrevistas com Angye Gaona

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Novidades

Amig@s, estou tentando entrar em contato com Angye para ter notícias do julgamento. Assim que tiver, posto aqui! Estamos também tentando articular um ato político-cultural em São Paulo para denunciar a situação de Angye e da Colômbia. Quem tiver interesse em ajudar, entre em contato!

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Artigo: o caso Angye e a ditadura na Colômbia

O artigo que se segue pode ser baixado em pdf AQUI. Divulgue o máximo que puder e, se possível, em jornais alternativos impressos ou digitais.

Poeta colombiana Angye Gaona: acusada de liberdade!

Em janeiro de 2011, a poeta colombiana Angye Gaona voltava de uma viagem para a Venezuela quando foi presa pela polícia da Colômbia acusada absurdamente de “narcotráfico” e “rebelião”. Durante longos 4 meses, mesmo sem provas, permaneceu encarcerada. Vencido o prazo máximo para seu julgamento, Angye teve que ser posta em liberdade. Mas agora, no dia 23 de janeiro de 2012, ela e mais 3 pessoas serão injustamente julgadas e correm o risco de pegar até 20 anos de prisão.

Para entender o processo kafkiano por qual passa Angye (e milhares de outros colombianos) é preciso entender os reais motivos de sua prisão e, para isso, é preciso compreender a Colômbia, verdadeiro ponto-cego da América, apagada pela mídia e pouco discutida até mesmo pelas organizações de esquerda.

Colômbia: miséria e rebeldia
A Colômbia, apesar de ser a 4ª maior economia da América Latina, é o 3º país mais desigual do mundo: 68% da população são miseráveis e pobres que “vivem” ao lado de uns poucos milionários, como o banqueiro Sarmiento Angulo que domina quase metade do crédito do país, sendo o 75º no ranking dos mais ricos do mundo. Essa grande desigualdade vem crescendo enormemente com a ação das multinacionais que exploram e roubam as riquezas naturais da Colômbia, agindo sobre 40% do território (áreas já concedidas ou em trâmite).

Esse quadro de desigualdade vem se construindo ao longo da história do país, gerando choques violentos entre liberais, conservadores e comunistas. Um dos mais marcantes acontecimentos de sua história se deu em 1964, quando liberais e conservadores lançaram o exército contra camponeses rebelados influenciados pelos comunistas, promovendo o Massacre de Marquetália. Desse massacre, escapam para as selvas 48 camponeses que fundam as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e dão início a mais antiga guerrilha do mundo, que controla hoje entre 15% e 20% do território colombiano.

Dentro desse contexto de enormes desigualdades e intensa revolta popular, os governos colombianos (Ayala, Uribe e, agora, Santos) vêm reprimindo duramente qualquer manifestação de pensamento crítico; criminalizando as liberdades de expressão, manifestação e livre organização; e reduzindo as FARC a um grupo “narco-terrorista”, ignorando suas reivindicações políticas. Tudo isso com enorme apoio militar dos EUA (Plano Colômbia) que tem interesse geopolítico e econômico na região.

O terrorismo de Estado na Colômbia

Há na Colômbia pelo menos 7.500 presos políticos: 90% de civis (sindicalistas, jornalistas, acadêmicos, estudantes, ambientalistas, camponeses) e apenas 10% de membros das FARC. Dados oficiais da Defensoria do Povo, vinculado ao Ministério Público da Colômbia, reconhecem que há 61.604 pessoas “desaparecidas” nos últimos 20 anos, sendo que mais 16.655 ainda não receberam esse status, pois desapareceram há “pouco tempo” (os números estimados pelos movimentos são bem maiores). Em 2010, a Central Unitária dos Trabalhadores da Colômbia denunciou que, em 10 anos, 2.778 sindicalistas foram assassinados, ou seja, 60% dos sindicalistas assassinados no mundo. São comuns as práticas de tortura e assassinatos exemplares praticados pelo exército e pelas milícias de paramilitares que são incentivadas e acobertadas pelo governo. Recentemente, foi encontrada bem atrás da força militar Omega (menina-dos-olhos do Plano Colômbia), a maior cova comum do continente com 2000 corpos de “desaparecidos”.

Os números indicam um novo recorde macabro na América: a “democracia” colombiana tem destruído mais vidas que as ditaduras do Chile e da Argentina juntas (as duas mais sangrentas!).

“E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.”

O terror de Estado na Colômbia tem intimidado a população que se cala para não ser presa ou morrer. Angye Gaona, ao contrário, vem se posicionando publicamente a favor da luta dos trabalhadores, estudantes e dos milhares de presos políticos. Angye, artista de intensa atividade cultural, faz de sua poesia e de sua arte uma arma de luta e esperança para todos que desejam afirmar a vida na Colômbia. Por isso mesmo, o governo de Santos armou sua prisão e agora prepara um julgamento de “cartas marcadas”, que será realizado a 800Km da cidade natal de Angye, impedindo o depoimento e as manifestações das pessoas que a conhecem. O governo colombiano quer prender Angye por ser livre!

Para garantir a liberdade de Angye e dos demais presos políticos é preciso uma campanha internacional que denuncie o terrorismo de Estado colombiano. Calar diante da situação colombiana é aceitar, indiretamente, que o mesmo ocorra no Brasil. É visível, nos últimos anos, o crescente desrespeito aos direitos humanos no Brasil que se manifesta mais claramente nas ações policiais e militares em morros, nas periferias, nas universidades e nas desocupações. É preciso forjar, apesar das dificuldades, a unidade de luta latinoamericana, pois um fantasma ronda a América… e, infelizmente, não parece ser o do comunismo.

Para saber como lutar pela liberdade de Angye Gaona visite o site:
http://www.angyegaonalivre.wordpress.com.

Jefferson Vasques
Poeta e militante

(fonte de informações: Agenda Colômbia-Brasil, importante frente de denúncia no Brasil da situação da Colômbia http://agendacolombiabrasil.blogspot.com/)

TECIDO BRANDO
(Angye Gaona, tradução de Jefferson Vasques)

Calma e tino te digo, peito brando.
Não queiras conter toda a água dos mares.
Toma uns litros de ondas bravas,
de espuma fera.
Deixa que se encrespe dentro de ti,
cavalo afrontado,
mas não domes esta água
que o tempo a requer viva
e pulsante.
Respira e prepara-te, peito brando.
Não queiras conter todo o ar dos abismos,
toma só o de tua pequena inspiracão,
o acaricie por instantes,
o susurre como se ao último alento
e o deixa livre ir ali,
aonde tu também querias:
vasto, imenso, indistinto.
Sopra forte o que guardas.
Não recolhas mais lágrimas, peito brando.
E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.
Que não é tempo de guardar a ira, te digo.
É momento de forjar e fazer luzir
o fio da navalha.

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Vídeo sobre “desaparecidos” na Colômbia

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